Após ser solto, dentista suspeito de importunação sexual é preso novamente em Juiz de Fora

O dentista, de 34 anos e de nome não divulgado, suspeito de importunação sexual, teve a prisão preventiva deflagrada na manhã desta segunda-feira (19) em Juiz de Fora. Na semana passada, o investigado teve a prisão ratificada pela Polícia Civil, mas foi solto após a Justiça ter cedido liberdade provisória.

“Ele chegou a dar entrada na unidade prisional, mas foi solto no mesmo dia porque a juíza tinha cedido liberdade provisória a ele. Fui até lá, conversei com ela, mostrei os fatos e aí ela nos cedeu os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão que cumprimos por volta das 6h desta segunda”, explicou Ione.

O homem é investigado após uma adolescente, de 17 anos, ter relatado que ele se masturbou durante uma consulta odontológica.

Após a denúncia ter vindo à tona, outras queixas contra o dentista foram registradas. Segundo a delegada responsável pelo caso, Ione Barbosa, até o momento, 9 vítimas prestaram queixa.

“Pedimos que as vitimas venham na delegacia, não precisa nem fazer boletim de ocorrência, podem vir direto. Até o momento temos 12 pessoas envolvidas (9 vitimas e 3 testemunhas) e pedimos que venham o mais rápido possível até a delegacia”, afirmou Ione.

A delegada explicou ainda que após ele ter sido solto, muitas vítimas ficaram com medo e com receio de irem à delegacia, por isso, foi feito o pedido de prisão preventiva do homem, assim como a liberação dos mandados de busca e apreensão.

dentista foi preso nesta segunda, durante a operação denominada “Sorriso Seguro”, na casa da mãe dele.

Conforme a corporação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão no local, assim como na residência dele e no consultório.

Foram apreendidos cerca de 600 fichas de atendimento, 3 notebooks, 2 computadores, 2 câmeras, uma filmadora e o celular do suspeito. Os materiais foram encaminhados para a perícia técnica.

Ainda segundo a delegada, o inquérito deve ser concluído em no máximo 10 dias.

Materiais apreendidos durante cumprimento de mandado de busca e apreensão — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Materiais apreendidos durante cumprimento de mandado de busca e apreensão — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Primeira denúncia

Na última segunda-feira (12), uma adolescente, de 17 anos, acionou a Polícia Militar (PM) e afirmou ter sido vítima de importunação sexual durante uma consulta odontológica no Bairro Santa Cruz, em Juiz de Fora.

Segundo a adolescente, ela estava no consultório sendo atendida quando percebeu que o profissional, de 34 anos, se masturbava enquanto a atendia. Ela saiu correndo do local e contou o ocorrido para a mãe dela, que acionou os policiais.

“Desconfiei porque em algumas funções ele precisava utilizar as 2 mãos e ele não usava. Eu escutava barulho de luva, de plástico, de roupa, como se ele tivesse mesmo se masturbando. Mas ate então eu não tinha certeza de nada e tinha medo de contar pra alguém, porque talvez as pessoas não acreditariam em mim por ele ser um dentista e acho que não é normal isso acontecer”, disse a adolescente em entrevista exibida no MG1 na última quarta-feira (14).

Ela fazia tratamento dentário com o homem desde 2019 e informou que teve medo de denunciar, chegando a duvidar de si mesma.

“Eu achava que estava doida, alucinada, sem acreditar que aquilo estava acontecendo e eu fiquei sem reação porque a gente vê tantos casos na televisão e eu n achei que aquilo estava acontecendo comigo. Eu nunca tinha passado por nada parecido e foi muito difícil pra mim chamar a policia porque eu sempre tive medo disso, de ninguém acreditar”, concluiu a vítima.

Conforme a PM, o dentista negou o fato, mas foi detido e encaminhado para a Delegacia de Polícia Civil para prestar esclarecimentos.

No local, ele teve a prisão ratificada e foi encaminhado para o sistema prisional, mas foi solto no mesmo dia.

Dentista suspeito de importunação sexual é preso preventivamente em Juiz de Fora

Denúncias

delegada Ione explicou que até o momento foram identificadas 9 vítimas. Conforme a autoridade policial, as mesmas já desconfiavam da postura do homem e relataram as mesmas coisas que a adolescente.

Crime de importunação sexual

O crime de importunação sexual foi inserido no art. 215-A do Código Penal e é descrito como a prática de qualquer “ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia”. A pena prevista é de 1 a 5 anos.

“Ele está passível de 1 a 5 anos por cada delito, cada vítima. É um crime que deve ser averiguado e ele deve responder ainda que ele fale que tem algum tipo de doença, isso não afasta o crime que é algo ruim que deixa sequelas terríveis para todas essas vitimas”, concluiu a delegada.

Fonte: G1 Zona da Mata

 

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